Dia Internacional da Esperança: A historia do Matilson e o combustivel de avião
Dia Internacional da Esperança
Saudações a todos, meu nome é Sofonie Dala. Hoje, 12 de julho, reunimo-nos para celebrar o Dia Internacional da Esperança — um dia que nos lembra que, mesmo em tempos de agitação, divisão e dificuldades, a esperança continua a ser a força mais transformadora que podemos abraçar. Ela é a ponte entre o desespero e a possibilidade, a luz que nos guia rumo à paz, dignidade e progresso partilhado.
A esperança não é abstrata. Ela vive nas lutas diárias de crianças, famílias e comunidades. É posta à prova em lugares onde a injustiça e o abandono ameaçam os próprios alicerces dos direitos humanos. E é nesses momentos que a esperança deve ser defendida com mais firmeza.
Uma História de Esperança Testada em Angola
As lágrimas vieram antes das palavras. Lágrimas de choque, de incredulidade e de medo por uma infância já a escapar.
Numa manhã clara de outubro, em Luanda, encontrei um grupo de crianças de rua. Entre elas, um menino de 10 anos, descalço, magro, segurando uma garrafa plástica com um líquido transparente. À primeira vista, pensei que fosse água. Mas era combustível de avião — uma substância tóxica que ele já bebia quase todos os dias.
Quando confrontado, não pediu piedade. Apenas disse: “Ok, então compra-me comida.”
Esse momento revelou o paradoxo cruel: uma criança a mendigar no distrito mais rico da cidade, segurando veneno em vez de alimento, sobrevivendo em vez de viver. Seus lábios estavam inflamados, sua fala lenta, seu corpo já mostrava os danos. Ele tinha apenas dez anos.
O Olhar Crítico
A realidade deste menino não é apenas uma tragédia; é um alarme nacional. Expõe as falhas das instituições angolanas em proteger as crianças, cumprir a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança e avançar nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Se Angola tivesse mais escolas gratuitas e casas para crianças, este menino passaria os seus dias a aprender, brincar e crescer em segurança — não a vaguear pelas ruas com uma garrafa de combustível. Educação e abrigo não são luxos; são linhas de vida.
Cada criança sem escola é empurrada para a exploração. Cada criança sem um lar seguro é empurrada para o desespero. E cada garrafa de combustível vendida a uma criança é uma traição à nossa responsabilidade coletiva.
O Chamado à Ação
O Dia Internacional da Esperança não é simbólico. É um convite global para agir. Para Angola, isso significa:
Escolas gratuitas: educação acessível que mantém as crianças fora das ruas.
Casas para crianças: espaços seguros com abrigo, comida e cuidado.
Aplicação rigorosa da lei: punir quem vende substâncias tóxicas a menores.
Ações comunitárias: programas que reconectam crianças às famílias e escolas.
Campanhas públicas: expor os perigos do abuso de combustível e mobilizar responsabilidade coletiva.
Esperança e o Bem Comum
A esperança não é passiva. É ação, resiliência e responsabilidade. Ela fomenta confiança, reduz a polarização e fortalece a identidade. Está no centro do ODS 16: Paz, justiça e instituições eficazes.
Como lembra a ONU: “Não há paz sem esperança, não há desenvolvimento sem confiança e não há futuro sem crença em um.”
A história deste menino é um teste ao compromisso de Angola com os direitos das crianças, a justiça e a humanidade. Neste Dia Internacional da Esperança, renovemos o compromisso de construir um futuro onde nenhuma criança segure veneno nas mãos, mas sim livros, sonhos e a promessa do amanhã.




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